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Erro de comunicação
Logo eu que faço curso de comunicação não sei me comunicar. É muito fácil dizer que o interlocutor é lento, burro ou desatento. Muito provavelmente eu não disse as palavras certas. Mas quais são as palavras certas? Por que elas não saem espontaneamente? Medo de ser rejeitada? Medo de ser chamada de bruxa, puta ou qualquer outro nome não muito agradável? Medo de ver ele beijando sadicamente outra na minha frente? Medo dele preferir lamber 7 centímetros da mesa a sua companhia? Mas o que eu diria diante de tanto medo? Não tive coragem de falar a verdade. Mas qual seria mesmo a verdade? Quando a gente é criança a gente fala o que vem na cabeça, mas a medida que a gente vai crescendo a sociedade vai nos podando ao ponto da gente responder “tudo bem” quando perguntam como a gente está. Não está tudo bem, porra. Está tudo frio, confuso e dolorido.
Talvez
Talvez o crush da rua de trás não seja para mim. Talvez eu não seja a sua dançarina. Nunca soube dançar, na verdade. Talvez eu não seja a garota que ele pensa na hora de acordar e nem na hora de dormir. Talvez, mas só talvez, as cartas do tarô estavam certas, ele não está emocionalmente disponível. Talvez eu deva seguir em frente. Talvez não. Talvez eu chore. Talvez eu faça greve de fome e desmaie. Talvez eu coma um pote de sorvete de colher e vomite. Mas tudo isso é só um talvez. Eu não sei de nada. Não sei decifrar o que se passa na minha cabeça e nem na cabeça dele.
Me apaixonei. Mas será que isso é tão ruim assim?







